Não basta se arrepender; é necessário se esclarecer.
Note que uma vida não o é sozinha, posto que outras dependem desta pra ser e crescer. Sempre ouvi que o meu comportamento deveria ser de acordo com o que agia sobre mim, e sigo essas normas sociais até hoje... Gosto de sinceridade. "Sinceridade pra sentir a alma reluzir" - uma amiga sempre diz. E tomo isso por lei! Sou feita de extremos. Extremamente sincera; extremamente dramática; extremamente apaixonada; ou extremamente desinteressada... Talvez esse seja meu maior problema.
Nada sei dessa vida. Acho que sou a filosofia do desapego em forma de gente; faço planos de não planejar muito à frente. Fazer o que se nem sei se daqui a 10 minutos ainda vou estar andando, respirando e dirigindo-lhes a palavra a qual vos lêem?
Hoje em dia, mais do que nunca antes consigo tatear a fragilidade da vida... Não faz mais de dois meses que segurei e brinquei com um bebê de 2 anos quase perfeito - tirando um ou dois problemas com células cancerígenas diretamente em sua caixa craniana. Mas, perfeito! Pelo menos pra mim e pra sua mãe que hoje chora sobre sua foto sorridente de dois ou três meses atrás; chora por não poder nunca mais ver um novo sorriso no rosto daquele bebezinho ruivo e lindo que era seu único filho...
Minha experiência semanal com Vinicius e seu trágico fim me sugaram as energias de um jeito inesperado. Tanto que hoje, apesar de querer escrever sobre outra coisa pra escapar dessas lágrimas que embaçam minha já não muito boa visão, não conseguia pensar em nada que não fosse ligado a ele. Não fui nada na vida daquela criança. Pus alguns sorrisos no rosto dele num intervalo de oito meses, mas ele fez tanto por mim. Sinto como se tivesse sido meu próprio irmão que perdi, e carrego, carreguei, e carregarei o peso dessa dor pelos corredores da Casa; quiçá pela a vida inteira.
Não quero mais me permitir doer por coisas banais. Não quero mais sofrer por algo que nunca foi feito pra mim. Porque não tem mais importância. Não sob o ponto de vista de quem perdeu a vida lutando contra um mal inoportuno e indevido.
A partir de hoje, espero valorar e valorizar cada coisa de acordo com seu grau de relevância; e não jogar fora minhas lágrimas e minha compaixão pro que não merece tê-las. E se um dia eu conseguir realizar isso, sei que terei um destinatário certo a quem mandar meus agradecimentos.
Desejo que descanse em paz, Vini... Tia Mari vai sentir saudades.